19/03/2007 16:53
Para ouvir...
O CD "Um som da poesia" é um trabalho de que tem me dado muitas alegrias. Antonio Maciel, um grande artista, soube como ninguém ouvir as palavras e transforma-las em voz, dando-lhes cor e alma. É dele a interpretação de meus poemas. Quem ainda não teve a oportunidade de conhecer "Um som da Poesia", aqui vai um pouco. "Pseudoindefinivelsom" é o Poema que vos apresento. É só clicar e ouvir:
http://sonsdapoesia.blig.ig.com.br/imagens/pseudo.mp3
...
enviada por Lualves
11/03/2007 21:04
Você
O não-eu-outro
Pelo qual existo enquanto indivíduo poeta cidadão
(Uma contrapartida, um reverso, um espelho da espécie)
Você
Vocábulo representativo de tantos ais que há em mim
Um Algo assim....
Um corpo
Um afeto
Um desejo
Um beijo
Um sorriso-instante
Vosmicê voando no verso
Entre as linhas do pohematoma verbal
(Pancada seca na superfície branca do papel que embriaga)
Vossa Mercê
Homens, mulheres e transexuais
Que apontamos com o dedo da hipocrisia
Enquanto andamos imponentes pela calçada
( por que somos tão pequenos, meu-amor...?)
Pronome de tratamento - alguém sussurrou daí...
Duvido.
(Qual será classe gramatical do Ser no universo...?)
Castigo.
Você que é
Ocê que é
Vc q eh
Cê
ja eu
ou
Cê
ja tu
ou
nós (agregados de sangue e culpa)
Você se foi
Você não veio
Você gmeu
Você meu seio
Faísca
Fantasma
Pânico
e
Alívio
Frases Frases Frases
Você taí?
Você tá onde?
Você tá bem?
Você não vai...
vai?
A final, quem é VOCÊ... pergunta-me um verso maroto arredio
...
Depende de que lado estamos
e como são feitos os enlaces
no mundo das palavras e das representações
uma circunstância,
um segredo,
uma saudade,
Fel ou Flor na manhã de abril.
Lualves.Itabuna.2007
enviada por Lualves
06/06/2006 20:53
... entretanto, não há desespero. Os olhos atravessam paredes e procuram o mar. Sempre o mar, que me resgata para o além. De lá, observo a terra, pânica, trêmula. Sou eu, neste dia hoje que não me lembro mais. É noite que meus olhos bebem... e branca é a espuma salgada que me vem à face. Cabeça erguida e peito aberto, percebo sem máscaras ou máculas, que ainda enxergo o farol...
enviada por Lualves
06/06/2006 20:50
Fora do poema, a palavra é menos.
Lualves
enviada por Lualves
06/06/2006 20:02
Tarde em Nazaré
Atravesso essa arquitetura antiga
Onde repousam sobrevivendo ao tempo
Esses insistentes casarões
Olho-os com os ouvidos
E percebo os ecos de outrora
Conversações
Palavras jogadas a esmo
Piadas, trocadilhos e causos
Será que ainda vibram em algum lugar além de neste poema?
Meus passos passam
e não ficarão na poeira desse espaço
Sei que sou estranho e que essa história não é minha
Mas esse rastro, de certa forma, fica
Na poesia de um momento colhido
eternizado no verso
É assim que sobrevivo e transformo as coisas findas
em girassóis e margaridas
(que não morrem nunca!)
Lualves.Junho de 2006
enviada por Lualves
09/04/2006 19:41
Língua
Sua língua não cabe em minha boca não
Essa língua presa
Essa língua morta
Essa língua sem movimento
Sua língua não cabe em minha boca não
Essa língua sem vida
Essa língua sem saliva
Essa língua sem tesão
Sua língua não cabe em minha boca não
Essa língua cretina
Essa língua sem cor
Essa língua tão fria
Línguescuridão
Sua língua não cabe em minha boca não
Não conhece os prazeres do amor
Não conhece os caminhos da paixão
Não sabe da missa um terço!
Sua língua não cabe em minha boca não
Está condenada a apodrecer
Estática, estúpida,
Em seus manuais de gramática.
Sua língua, não!
Lualves
enviada por Lualves
02/04/2006 11:24
Adversidades
Ainda que a chuva demore
que à noite a vela venha curta
ou a palavra esguia teime em fugir do verso
Ainda que o beijo no rosto seja o de Judas
que o conto não tenha a frase perfeita
ou o descuido tenha desafinado o final
Ainda que demore
que respingue
que desatine
que o que era Sol
há pouco tenha se apagado
e o que era doce
de amargo se vestiu
Ainda que não
Ainda que nada
Ainda que sujo
Ainda que o corpo sangre
E o espasmo seja o espanto
E o canto desabafo
(bem me lembro das noites frias regadas a conhaque)
Ainda que a memória esteja falha
Que o passado condene
E o julgamento injusto
E que a sentença seja
a solidão...
Ainda que não
Ainda que nada
Ainda que impuro
Eu juro
Ainda que venha a morte
E tudo se transforme em silêncio...
em silêncio...
silêncio.
Haverá de manter-se esse desejo incessante
Um sonho ( que sem ele o homem é carvão)
Um último gole de poesia
E esperança
Cujo gosto (que é voz e ecoa)
Permanecerá vivo de alguma forma
Além da vida
Além da morte
Além de mim
Lualves
enviada por Lualves
13/03/2006 22:44
Semi-Luz
Na semi-luz que me envolve
não há solidão
disfarce
É meu verso
meu pasto
singularidade que me sustenta no tempo
é mingua língua molhada e minha unha roída
è fogo
saturno
é vento
Sou eu!
Nada não
esse corpo de massa e sonho
um pedaço de dúvida e desejo
a caminhar sobre a terra
a trilhar sua linha no espaço
Girassol que circula na multidão
coração que vai-e-vem
poesia e nada mais...
Lualves.
enviada por Lualves
15/02/2006 23:40
... e foi aí que eu cheguei, como quem retorna de uma década de viagens e delírios. Respirei fundo, ajeitei o cabelo, sorri um sorriso maroto, de menino mesmo...
... ninguém me viu entrar. Era cedo e todos dormiam. Olhei para os lados e me senti em casa novamente... era sempre assim. Procurei aquele mesmo canto de sempre e, de lá, contemplei as palavras... estavam lindas e serenas, ainda em estado de repouso... olhei-as como quem contempla as estrelas, no infinito...
... e foi assim todo o dia...
Lualves
enviada por Lualves
15/02/2006 23:32
Rubro
Vermelho
Cor
Ação
Vermelho
Com
Fusão
Vermelho
Pulsa
Ação
Vermelho
Com
Paixão
Vermelho
Vermelho
Vermelho
Vermelho
Sangue coagulado
No mar da inconformação
Lualves.
enviada por Lualves
15/11/2005 15:43
A cada instante que a vida me ilude
com seu passar sorrateiro
percebo que há algo inatingível
uma verdade que se faz por não se revelar
um luz que não brilha aos olhos
um labirinto sem fio de Ariadne
um nó
sem desenlace
Olho para os meus pés
quase cansados
olho para as minhas mãos
quase sem linhas
e vou percebendo o meu corpo todo
caminhando para a desintegração
O que posso eu fazer para deter a ferrugem
que me invade a cada tragada de oxigênio?
Sou um aglomerado de substâncias frágeis
andando no mundo à sombra do fim
uma estrutura de ossos e desejos que atravessa todos os dias
a rua em direção ao trabalho com a esperança no bolso da frente
uma coisa ignorante que não sabe de onde vem ou para onde vai
Que faço eu aqui?
Sinto um frio vindo da janela...
há também um som de violino...
parece que alguém disse o meu nome...
tenho sono.
Lualves
enviada por Lualves
07/11/2005 00:23
...
Lançar o olhar sobre as coisas.
Desse ato, aparentemente, banal
Construo minha colcha de significados,
Estruturo minhas indagações
e as transformo em poesia
Essa é a minha lira
meu destino e minha jornada
Hei de cumpri-la até o último verso
ou o último olhar
Sou assim essa coisa inquieta e maravilhada.
Um espanto todo em ritmo de pétala.
Lualves
enviada por Lualves
10/10/2005 21:50
Eis aqui
eu
não mais que
eu
e meus varais
eu
e um turbilhão de interrogações
eu
e meus outubros
meus ombros
meus tombos
eu
e um par de chinelas gastas
uma janela de vidro trincado
uma dor na coluna
na unha encravada
na carne que pede clemência
eu
e um Deus que nunca me chamou pelo nome
que olha tudo o que eu faço
e a quem disseram que eu teria de amar
se não quisesse padecer no inferno
eu
e essa minha frágil chama que arde
e que pode me levar à escuridão
a qualquer piscar de uma estrela
eu
meu reflexo
meu repouso
meu cansaço
minhas brumas
e cancelas
e fornalhas
e poemas inacabados (ou esquecidos)
e florins a me flambar a face
feito canção de ninar
eu
e nada
e coisa
e vazio
e mundo
e vazou
e partiu
e se quebrou
e foi embora
e se perdeu
e o breu
e o que ficou pra trás
e esses pedaços de mim espalhados pelos cantos
e o meu canto, onde foi...
eu
e um sentimento resistente de esperança
e a certeza de um sorriso latente
pela poesia que brota como flor
no asfalto
ou na lama
eu
e uma possível chuva de primavera
esse enxame de flores
onde
eu
pretendo lavar a minha alma
Lualves
enviada por Lualves
18/09/2005 21:38
Continuo respirando:
---------------------
Corpo solto no espaço
...
Uma luz
Um movimento
vários...
Uma cor (ou cores, que seja)
vestido cereja
poema rolando sobre o palco
salpicado de sorrisos
Se é vertigem ou dança
Esperança ou caos
Ou ainda uma rosa desgarrada
Não importa
Se tango ou bolero
Rock and roll ou jazz
Tanto faz
Se grito ou sussurro
tormento ou placidez
Tanto fez
... um deslizar de sutilezas e nada mais!
Que esse passear musicado permaneça
imperando sobre o espaço-tempo
Sob o manto luminoso desse farol:
Olho meu.
Lualves, Itabuna (BA)...23 de julho.2005
enviada por Lualves
11/09/2005 19:16
Um poema para começar...
Sangue de Agosto
Esse canto-grito é mudo
De espanto
Silêncio nessa manhã de agosto
Difícil vingar o poema
Dizer o que
Nessa manhã de agosto? Silêncio
O vermelho coalho na calçada
Mancha nossa alma brasileira
Nessa manhã de silêncio. Agosto
A notícia é suja e...
Meu Deus! Por que nos abandonaste?
Silêncio...
Nessa
Manhã
Agosto
Do ano cristão dois mil e quatro
Sem nomes
Sem chances
Sem esperanças
Sem reações
Sem piedade
Sem pátria
Sem vida
São homens, meu povo!
Mortos a pauladas na cabeça
Enquanto dormem!
Não houve grito
Apenas o som da caixa craniana
Contra o cimento da calçada
(terror na Praça da Sé e adjacências)
Não havia estrelas
Nem violões ao luar
Não!!!
O verso é seco
E real
Sonhos interrompidos pela morte
Estúpida e inválida
Sem rosas ou flores do campo na vala comum
Pensem...
São homens, meu povo!
Cadáveres.
Gente morrendo a pauladas na cabeça
Enquanto dormem...
Lualves. agosto de 2004
enviada por Lualves
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